sexta-feira, 29 de julho de 2011

Vi isso e achei que é a cara da minha amiga B., que ainda está apaixonada por F.:

"Por razões que desconheço, nossas aproximações foram sempre pela metade. Interrompidas. Um passo para a frente e cem para trás. Retrocessos. Descaminhos. E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa, nosso encontro pode acontecer inteiro."

(Caio Fernando Abreu)

Sinceramente espero que um dia eles possam se encontrar... e ser felizes juntos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Exaustão

Minha mente está tão cansada que já nem sei como tentar acalmá-la. São tantos compromissos, tantos pensamentos inconvenientes, tantos sentimentos não atendidos... É a vida. Antigamente, uma pequena lista num pedaço de papel era suficiente para que eu colocasse meu raciocínio no lugar. Agora, nem isso, nem nada... Acho que agora sou a personificação do desequilíbrio.
Vamos por partes. Tenho um material didático para produzir. Nada demais... Só um "livrinho" de 80 a 100 páginas sobre sintaxe. Tô cheia de avaliações para corrigir. Nem peguei na última pilha, já estou com outro "bolo" de relatórios... Todos para serem entregues na segunda, dia 01/08. Também tenho que desenvolver o gabarito de uma prova, que deve ser entregue na mesma data das avaliações. Tenho uma prova no curso de cozinheiro, no dia 06. Sem contar que a formatura é no dia 09/08. Depois disso, meu filho vai se operar de uma correção de ptose.
O material didático é a grande pedra no caminho. Não estou conseguindo escrever. Estou lendo muito para ver uma luz no fim do túnel. Mas parece que minha cabeça tá danificada em algum compartimento. Não estou conseguindo pensar em sintaxe. Tô pouco me lixando para os sujeitos e os predicados. Tô nem aí para os sintagmas. É como se eu só conseguisse pensar em faca, panela, sautese, assadeiras e comida. Minha cabeça mudou. Eu não me importo mais em não ser uma excelente professora de Morfossintaxe. Eu só quero ser uma excelente cozinheira...
Toda vez que eu me meto nisso, eu juro que será a última vez, que nunca mais vou produzir material didático, nem vou me meter a escrever artigo ou particpar de congresso. Então agora a promessa vai ser pública, para que todo mundo possa me cobrar. Depois que eu terminar esse material didático, eu NUNCA MAIS VOU FAZER ISSO NOVAMENTE.
E agora estou aqui... com a mente cansada, o corpo dolorido... Deprimida, sonolenta, angustiada. O que vai ser? O que vai acontecer? Como vou concluir essa tarefa que nem consegui começar direito? Que deus pagão pode iluminar minha mente para que esse livro saia de mim, vá para o mundo e me deixe em paz?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Modelo de Kübler-Ross

Esse modelo foi desenvolvido por uma psicóloga (ou seria psicanalista? Ou psiquiatra?) suíça, que descreve os estágios pelos quais as pessoas passam quando sabem que vão morrer. As fases são negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. A negação é a fase do “não acredito”. A raiva é autoexplicativa... É o momento em que a pessoa explode, se questionando “por que comigo?”. Na fase da barganha, ela começa a agir em busca de algo que reverta a situação. Dizem que é nesse momento que algumas pessoas se voltam para algum tipo de espiritualidade ou religiosidade, como se quisesse adiar a sua “ida”. Após constatar que não adianta se recusar a acreditar, se revoltar ou suplicar a Deus, a pessoa cai em depressão. É o quarto estágio. No fim, perto de morrer, tudo isso se vai, deixando que a resignação tome conta da situação. Não há mais desespero.
Embora isso tenha sido “sistematizado” para falar do processo de morte, acho que se aplica para toda e qualquer perda, mesmo aquelas que não estejam vinculadas à morte de alguém. Mas como não sou psicóloga, nem médica, parece não fazer sentido que eu traga um tema desses para meu confessionário. Acontece que diante da incerteza de tudo que está por vir, parece que as quatro primeiras fases estão misturadas em mim. E, conversando com uma colega, descobri que deve ser assim com todo mundo. Essa colega, que chamarei de B., está vivendo algo que todos nós já vivemos pelo menos uma vez na vida. B. se apaixonou por alguém que não lhe corresponde. Se não bastasse o fato de que ela é comprometida e não tem coragem de sair da relação, ainda por cima, F., seu objeto de paixão, parece não ter por ela o mesmo sentimento. São duas dores. Ou seria a mesma dor ao quadrado?
Então B., hoje se encontra negando (“Eu não acredito que ele não sinta nada por mim. E os comportamentos contraditórios dele?”), revoltada (“Eu odeio ele!Por que ele tinha de ser tão sensacional com aqueles cabelos grisalhos e aquela boca perfeita? Por que eu tinha de conhecê-lo?”), barganhando (“Por favor, Deus, resolva essa situação!!!! Eu entrego tudo nas suas mãos!”) e deprimida (“Bem que eu poderia sofrer um acidente, ficar em coma, e só voltar a acordar com uma baita amnésia!!!”). Ela está longe de sentir resignação e aceitar que perdeu. Perdeu a batalha, perdeu sua paz. Ainda que ela não tenha se humilhado para F., e mesmo com a dignidade inabalada, ela perdeu. Porque estar apaixonada é uma perda de si mesma. Estar apaixonada é uma dor, é um descontrole do coração e da mente. Estar apaixonada é uma experiência que só faz mal. Mas B., minha amiga sofrida, está se afogando, sufocando na dor de não conseguir esquecer alguém que, talvez, nunca tenha pensado nela. E nada do que eu lhe diga irá fazer com que ela se sinta melhor. Porque a única coisa que a faria melhorar seria ouvir de F a seguinte frase: “Eu não quero que você me esqueça, porque também estou apaixonado por você.”