quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Eu não sei o que devo fazer para essa sensação passar. Estou me sentindo perdida, estou presa num lugar de onde preciso sair, mas não sei nem como dar o primeiro passo.

Eu já falei isso antes. Não é novidade. Só que enquanto eu não conseguir ver a luz que me guiará para os próximos passos, eu vou continuar falando a respeito. Eu sou assim: só processo meus problemas conversando sobre eles, até que eles sumam, até que eles se tornem passado.

Eu não sei o que fazer... E na verdade, continuo com vontade de não fazer nada... Continuo com vontade de me esconder e esperar que as coisas mudem por si só... Afinal, tenho me sentido impotente. O que eu posso fazer? Eu já fiz tudo o que estava ao meu alcance: fiz um curso profissionalizante, fiz cadastros em empresas que intermediam mão de obra, conclui o meu trabalho no meu emprego da melhor forma possível... Nada mudou. Não apareceu nenhum emprego que possa me pagar pelo menos metade do que eu já ganho hoje, como professora. Afinal, é preciso ver as coisas por esse ângulo também: eu quero muito deixar de ser professora e me tornar uma cozinheira profissional, para construir uma carreira e chegar a ser chef de cozinha, um dia. Mas agora, com o meu emprego ruim, eu ganho mais, e consequentemente posso pagar mais contas com este salário, do que um cozinheiro ou auxiliar de cozinha ganha. É como estar entre a cruz e a espada. No meu emprego atual, eu não me sinto realizada. Ao contrário: é uma frustração atrás da outra... além de ser um trabalho que não me rende nenhum tipo de gratificação profissional, recebo meu salário tão atrasado que quando ele chega, já está no fim para quitar as dívidas com multas e juros. Entretanto, trabalhar como cozinheira pode ser o que eu sempre esperei sobre realização profissional, mas aqui em Salvador, pelo que tenho visto, não há uma boa política de valorização salarial para quem trabalha nessa área. Quem ganha mais ou menos melhorzinho é o chef... E ninguém sai do curso do SENAC direto para chefiar uma cozinha, sem antes ter passado por baixo. É preciso ter humildade para saber que até chegar no topo, a subida da trilha é árdua... Eu sei disso.

Eu não tenho medo da subida... Meu medo é dos efeitos da subida na minha vida pessoal: o tempo que não terei perto dos meus filhos, a queda no padrão de vida conquistado depois de engolir tanto sapo do sistema educacional fudido desse país, da falta de disponibilidade para estar com meu marido nos fins de semana e feriados... E do salário ruim até que eu possa chegar a algum lugar em que o salário seja melhor. Eu sabia disso desde o início. Minha família também tem consciência desse quadro... Mas isso não é o suficiente para que a coragem seja maior.

Pode me chamar de fraca, de insegura... Sim, eu já pensei em desistir... Já pensei muitas vezes em abandonar esse sonho de ser feliz numa profissão e me conformar em ser uma professora medíocre de língua portuguesa... Acho que já pensei em me acostumar a ser medíocre de qualquer jeito... E sei que fazendo isso eu estou fugindo do meu programa de melhora da autoestima... eu não devo me criticar...

Eu não quero nem pensar mais nisso... Quero fugir de mim mesma, das minhas angústias, das minhas dificuldades...

Bem, eu preciso que esse ano de 2011 acabe. Foi o pior ano que já vivi nesses 33 anos. E se o ano que vem não for melhor, pelo menos há a promessa de que o mundo vai acabar... Pode ser um alívio e a solução para todos os meus problemas...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Empty handed

Falei com B. agora a pouco, e tudo está mudado. Ela está muito puta da vida com o tal do F. Ela estava tão irritada que não quis me explicar direito o motivo disso tudo. Pelo que eu entendi, ela se chateou com algumas coincidências... Parece que, depois de eles terem conversado um bocado sobre diversas coisas, ele percebeu que ela via as fotos dele numa dessas redes sociais que tem por aí... Então, dias depois, ela deixou de ter acesso a esses álbuns. Parece que até os perfis de alguns parentes dele também estão com o acesso bloqueado. Ela ficou ofendida com isso... Pudera! Se ele bloqueou ou mandou que seus parentes bloqueassem o acesso dela a algum álbum ou informação é porque não sabe que pessoa B. é. F. não faz ideia de quem ela seja.

Bem, isso me faz pensar que as pessoas vivem tão defensivamente que perdem a chance de desenvolverem boas relações... E quando falo de relações, não estou me referindo à relação amorosa somente... Até uma relação de trabalho, simples e banal, poderia ser melhor se as pessoas se dispusessem a conhecer umas às outras.

Mas essa é a vida... Encontramos pessoas boas e más, pessoas sensíveis e pessoas "de gelo"... E não há nada que possamos fazer para mudar isso. O que temos que fazer? Bem, viver o melhor que pudermos com nós mesmos... Ter plena consciência de que somos bons do jeito que somos, e não é um outro alguém que irá nos tirar essa certeza.

É bom que B. tenha visto o quanto que esse cara não é sensacional como ela pensava. Ela estava vivendo mais ou menos assim:

"hating and waiting, frustrating, debating
and feeding and taking and building and breaking..."
Ben Kenney - Empty handed


Acho que agora ela quebrará esse ciclo de auto-flagelamento... Vai ser feliz, B. Você merece!