segunda-feira, 16 de abril de 2012

O que as pessoas querem do Facebook?

Hoje eu vi duas coisas no Facebook que me levaram a mais uma seção de filosofia barata só para passar o tempo num engarrafamento.
Primeiro, li uma suposta matéria na qual se dizia, muito genericamente, que o criador da rede, Mark Zuckerberg, não estava satisfeito com a qualidade da participação dos brasileiros. Segundo a matéria, por um lado, o cara estava feliz por haver tanta gente no Brasil utilizando a rede social, mas, por outro lado, cada vez mais os brasileiros estavam "orkutizando" (não é que inventaram isso?!)o Facebook, com essas postagens com mensagens de autoajuda, textos de teor religioso-catequisatório, etc e tal. Na matéria, havia até a informação de que o Mark, junto com sua equipe, estaria elaborando um manual de comportamento para que o público brasileiro não estrague o Facebook.
Aí, logo em seguida, eu vi a atualização de status de uma amiga, em que ela falava que o Facebook deveria se chamar "Egobook".Havia alguns muitos comentários concordando com ela e escrachando aqueles que usam não só o FAcebook mas também o Twitter, para ficar informando coisas bobas sobre si mesmas. Houve um comentário que satirizava aquelas outras pessoas que vão atualizando seus status, falando que comeram tal coisa, que foram ao banheiro, que fizeram isso ou aquilo.
Bem, minha primeira reação, como boa pessoa insegura que sou, foi pensar: "Eu me encaixo nesse perfil?" É claro que deveria ter pensado logo em seguida: "Que se foda se eu me encaixar nesse perfil! E daí?" Mas não foi isso que passou na minha cabeça. Eu comecei a pensar na utilidade do site e quais as expectativas de quem o está usando. Particularmente, uso o Facebook para estar em contato com as pessoas que conheço, já que a vida que tenho, atualmente, e até mesmo minha natureza de eremita, me impedem de sair e encontrá-los frequentemente. Através dele, fico sabendo do que se passa na vida dessas pessoas, ou pelo menos sobre o que pensam, sem precisar ligar e perguntar. Às vezes, tento usar o site para saber da opinião dessas pessoas sobre algum assunto ou mesmo para perguntar coisas (como no dia em que estava estudando para a prova de Enologia, Drinks e Aperitivos). Neste último caso, raramente obtenho resposta. Vejo um bocado de coisa chata, como aquelas mensagens religiosas que me irritam e, principalmente, as chacotas contra os times de futebol que perderam alguma coisa, independente de qual time foi (ODEEEEEEIO FUTEBOL). Quando topo com algo assim, passo reto, desco direto para a próxima atualização. Vejo algumas besteiras que me fazem rir, assisto a alguns vídeos que me pareçam interessantes...Também acabo sabendo mais sobre a vida da minha filha do que ela está disposta a me contar. Enfim. Para que mais serviria? Os convites para participar de jogos e aplicativos, ignoro por completo... Nem me abalo em tentar ver como funcionam. Aplicativos, só meus dois joguinhos favoritos: Mahjong e Bubbles.
Entretanto, o que percebo por parte de muitos amigos e ex-colegas de faculdade é uma constante pressão para que sejamos sempre eternamente altamente intelectualizados. Sempre vejo que algumas pessoas postam críticas sobre o que está acontecendo na TV ou sobre alguma polêmica que está rolando por aí. E aí eu me questiono: muitas dessas pessoas levantam bandeira em defesa de causas de igualdade social, discriminalização disso e daquilo (causas que eu também defendo), mas na hora de lidar com a diversidade do uso do Facebook, o discurso empena. Acham um besteirol que alguém fale sobre o que fez ou vai fazer; são extremamente intolerantes quando contrariados em suas opiniões. Se o que anda aparecendo na página principal é um desfile de coisas que não vão enriquecer o dia do intelectual, exclua a postagem. Peça para aquela história não aparecer. Se a pessoa responsável pela tal postagem é recorrente, é só bloqueá-la ou mesmo excluí-la. Sea tal pessoa não é inteligente o suficiente para que possa figurar então na página de atualizações de um intelectual, porque essa pessoa está na sua lista de amigos?
Talvez eu seja suspeita para falar, afinal, fugi da vida acadêmica, não aguentando a pressão de ser intelectual. Uma vez, meu marido e eu estávamos discutindo sobre isso. Ele faz parte do perfil que acha que as discussões e postagens no Facebook deveriam estar num nível mais elevado. Eu retruquei que se eu quisesse ficar filosofando numa rede social, teria escolhido continuar com minha vida acadêmica e fazer o doutorado. E se a intenção dessas pessoas é que haja um espaço público para debates de alto nível, seria melhor que as redes sociais passassem a ser temáticas ou com finalidades específicas, como ocorre com a tal da Linkdin (acho que é assim que se escreve). Infelizmente, a pressão para ser intelectual e inteligente, e parecer super cool falando sobre o assunto polêmico do momento é um "pouco demais" para mim, que estou em busca de leveza. Mas, como eu não quero ser como os intelectuais radicais do Facebook, que passam a ter um discurso discriminatório, acho ótimo que eles estejam lá para trazer sempre uma polêmica diferente, que não vai mudar a vida de ninguém.