sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Válvula de escape

Eu acho que é uma das funções mais primordiais dos amigos, ouvir e dar suporte aos seus. É por isso que quando algum amigo me liga ou quer conversar, eu ouço. É evidente que, com minha boca grande, faço meus comentários, tento aconselhar, consolar dizer algo que ajude, que acalme, que conforte. Apesar de pensar assim, eu não consigo ligar para meus amigos para pedir para conversar e desabafar. Sei lá o motivo... Acho que tenho medo de que não me entendam, que me julguem, de alguma forma, que façam críticas sobre a forma como eu me sinto. Pelo menos, isso já aconteceu antes, e eu passei a me recolher, quando estou mal. Nesta semana, eu captei de uma pessoa que amo muito, muita informação negativa. ela tá cheia de problemas. Tá "encalacrada" até a alma... Problemas no trabalho, problemas na família, problemas financeiros... Eu escutei, tentei acalmá-la, dei todos os meus melhores conselhos... No final, ela rechaçou tudo. Eu não sei se foi porque nada do que eu disse sutiu efeito, ou se é porque a energia dela tava muito "dark", a verdade é que hoje eu queria ter com quem conversar. Eu queria poder desabafar. Contar tudo, gritar, esbravejar... Guardei pra mim, e tive uma crise de choro em meio ao engarrafamento das 8:00 horas da manhã. Minha cabeça está doendo, agora. Uma sensação de impotência se instalou...

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sujeitos assujeitados.... "Maria vai com as outras" ou o quê?

Existe algo, que eu nem sei definir, em Análise do Discurso, que diz, mais ou menos, que tudo o que pensamos ser nosso texto, nossa opinião, nossas ideias, na verdade, não é. Nem sei se isso é um conceito ou um fundamento. O que sei é que somos "assujeitados" porque somos levados a adotar ideias, ideologias e conceitos dos outros... Isso me fez pensar que somos altamente influenciados pelas palavras alheias. Criamos conceitos, adotamos padrões, muitas vezes sem conhecer. E por que estou trazendo isso hoje pra cá? Bem, eu fui, pela primeira vez à cidade de São Paulo há duas semanas. E foi uma surpresa!!!! Em primeiro lugar, não fui como turista. Estava concentrada em ir só para ver o show da minha banda favorita (Dream Theater). Minhas expectativas eram duas: aproveitar o show ao máximo e não esperar nada da cidade... A culpa é de Caetano!!!! Culpa de frases como "Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto" e "Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso"! Mesmo depois de analisar e verificar que de tantos avessos, chega-se no "direito", eu tinha a impressão de que São Paulo era uma cidade pra lá de horrorosa. E fui pra lá acreditando que ia ver o que costumamos de "ó do borogodó"! Muita gente ratificou essa imagem, com depoimentos sobre suas experiências em Sampa... E eu, que cheguei com os olhos cautelosos do que poderia ver, me deslumbrei com a selva de pedra... Passando por baixo de um viaduto, de onde meu marido apontava para algum lugar que não consegui identificar, me encantei com o céu azul, as flores colorindo o espaço misto de arquitetura antiga e prédios modernosos. Meu marido apontava: " Ali em cima é a Paulista. Tá vendo aquilo ali, vermelho? É o MASP"... Não consegui ver, porque tudo era muito melhor do que eu havia imaginado. Arcos, vidros, concreto, céu de brigadeiro, flores de cores intensas... verde! Tudo junto, desmentindo o avesso do avesso. E a temperatura de 17°C inundou minha alma... eu não queria mais sair dali... Se não fossem meus filhos me esperando aqui, talvez nem tivesse voltado. Convenceria meu esposo a ficar por lá mesmo, clandestinos. É certo que não vi a cidade toda, não conheci o furdunço diário... Mas andei pelos lugares que fui, não como turista, mas como alguém que sabia onde estava. Andei de trem, andei de metrô... Depois de algumas estações, já me sentia em casa. Tive medo de ser mal-tratada, porque outra coisa que costumam falar sobre São Paulo é que os paulistas não gostam de nordestinos... Fui esperando que algo assim acontecesse. Tirando um chinês estressado numa lojinha da Liberdade (antes de terminarmos de perguntar quanto custava um produto, ele já vinha dizendo que era 38!!!!), e uma galera que me olhou feio na Galeria do Rock, devido à minha busca por algum produto da franquia Glee (pra minha filha de 12 anos!), acho que fui tratada normalmente em todos os lugares onde estive. Amei São Paulo! Alguma coisa acontece no meu coração...