sexta-feira, 5 de julho de 2013
Festa...
Supostamente, uma festa deveria ser motivo de alegria, de animação. A festa não é necessariamente minha, mas eu acho que quando alguém é convidado para uma, isso não deveria ser um peso.
Amanhã há um casamento. Nada contra os noivos, mas eu não gostaria de ir. Simplesmente porque estou com vontade de não ir. Ou melhor, não estou com vontade de ir. É diferente. E é muito simples de explicar minha não-vontade. Esse tipo de festa é como um desfile no tapete vermelho do Oscar: as pessoas estão lá não para celebrarem o acontecimento, mas para se exibirem. Se você é convidado para um casório, e junto com o convite vem uma série de exigências sobre como você deve se vestir, a alegria da celebração vai para a puta que o pariu, porque o que resta é a chatice de ter que fazer cabelo, unhas, maquiagem (é uma delícia fazer tudo isso quando é para o seu prazer, e não para pousar num álbum de casamento), alugar roupa (ou conseguir emprestado, ou comprar). "Felizmente" nesses últimos 14 anos eu engordei o suficiente para uma roupa de gala de minha sogra caber em mim. Minha sogra sempre tem algum evento de gala para ir. Eu não.
Aliás, meus amigos não se casam. Eles passam a morar junto com suas(seus) companheiras(os) e depois atualizam o perfil no Facebook. Também não sou muito convidada para festas de formaturas e bailes de debutantes. Por isso, não tenho vestido de gala. Se tivesse, seria preto, mas a mãe da noiva não quer que ninguém use preto na festa. (Já viu que onda?)
Bem, e qual a razão de eu simplesmente não ir? "Família, família...." Não ir é comprar uma briga, uma ofensa. A família nem é minha! É do marido, mas eu não vou ser a responsável por uma "ofensa" tão grave. E aí, o jeito é me submeter. Amanhã, a esta hora, estarei com a cara cheia de "reboco", coque, roupinha de gala, sorriso falso. Não farei unha, não irei ao salão... Malmente, passarei uma base nas unhas para disfarçar... nos olhos, vou tacar um par de cílios postiços tão chamativos que ninguém vai reparar nas minhas unhas. Quer dizer, ninguém exceto a mãe da noiva, que adora ter repertório para falar mal dos outros depois que a festa passar.
Certa feita, quando houve o casamento do outro filho dela, uma agregada foi a madrinha. A coitada havia trabalhado o dia inteiro e não pôde ir a salão fazer essas coisas todas. Foi do jeito dela, estava linda, do jeito dela, naturalmente como ela é. Tempos depois, numa rodinha de churrasco, essa moça foi bombardeada de acusações, porque não havia feito escova no cabelo, porque o vestido estava assim e assado, etc e tal. Nem preciso dizer que a moça-alvo do falatório nem estava lá para se defender...
Eu queria "cagar e andar" pra tudo isso. Ir de calça jeans e all star! Mas isso seria tão "ofensivo" quanto não ir à festa.
P.S.: ainda bem que não fui convidada para ser madrinha desse casamento...
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Bola de neve
Atualização de status: ainda deprimida por conta da demissão. Estou procurando coisas novas, mas nada apareceu.
É claro que já estando deprimida, o meu humor não está lá dos melhores. E eu imagino que não deve estar sendo fácil conviver comigo assim. Mas, por outro lado, é o que se espera dos parentes, da família: marido, filhos, pais e irmãos. A gente imagina que esse vai ser o grupo que vai dar apoio incondicional.
Fragilizada assim, ficou mais fácil me ofender com pequenas atitudes em casa, como a comida rejeitada, ou o descuido com o lugar que acabou de ser limpo. Devo soar como uma "chata de galocha". Mas um pouco de compreensão não ia fazer mal, né?
Ao invés disso, quase estou sem falar com as pessoas da casa, maiores de 13 anos. Só tenho me comunicado com meu gurizinho, porque ele não entenderia, embora perceba, o que está acontecendo.
Estou rezando. Estou pedindo um milagre: que as pessoas que eu amo me entendam. Que me perdoem se eu me excedi nas reações. Que assumam que também erraram. Que tudo fique bem.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
... Como havia sido previsto
Já vinha sendo anunciado o fim. Eu já sabia que iria acontecer. Mas ainda assim, não é um sentimento fácil de lidar.
Será que todos sentem da mesma forma que tenho sentido? A sensação inicial foi a de que eu fui jogada fora, depois de ter sido usada ao extremo, sugada de toda minha energia, criatividade, saber e competência. Ser demitida não foi nem um pouco aliviador, como eu esperava. Eu achei que me sentiria libertada, e no entanto minha alma parece estar prisioneira de uma angústia, da eterna incerteza sobre o futuro.
Achei que depois que eu saísse de lá, todas as nuvens que me impediam de ver iriam se dissipar. Porém, parece agora que elas estão mais densas.
Eu não vou tentar fingir que tá tudo bem. Não está. Eu estou muito triste, com medo do futuro. Medo de não receber na justiça por todos os direitos assegurados de uma demitida. Medo de que não consiga mais voltar a trabalhar, porque parece que tudo que eu sabia, que tudo o que eu podia fazer ficou preso lá naquele lugar. O amanhã é tão nublado, tão difícil de enxergar... E me falta a fé de que todo mundo fala. Como se ganha fé? Como se passa a acreditar que tudo vai ficar bem? Eu queria, ao menos, alguma garantia...
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Mais alguns tons...
Bem, terminei os dois primeiros livros da trilogia 50 tons de Cinza. E posso afirmar, com muita convicção, que eu estou morta de cansaço pela Anastácia, protagonista dos romances... É tanto sexo (duas ou três vezes por dia, quase todo santo dia!!!!!) que eu fiquei exausta por ela.
Como eu mencionei no post anterior, o vocabulário é tão fraquinho, que começou a ficar chato "reler" todas as narrativas porno-eróticas (dá uma sensação de que estou lendo de novo a mesma transa...).
Mas o que me trouxe aqui para falar sobre o livro não está no livro em si, mas em um comentário que li em algum site por aí: alguém descreve o livro como "o pornô das mamães". Eu fiquei com a pulga atrás da orelha com a expressão claramente preconceituosa em relação às mulheres que optaram por construir uma família. É como se uma mãe não tivesse mais o instinto sensual e sexual que qualquer mulher saudável, em idade reprodutiva tem. Parece que parir é fato que irá, de vez, colocar a vida sexual na gaveta. Sabe-se que é difícil ter uma vida sexual ao estilo Grey/Steele com filhos em casa. Mas mesmo quem não tem criança em casa não anda transando toda hora, em todos os lugares, usando tantos apetrechos e tudo mais, por aí. Esse é outro ponto interessante que me levou a refletir ainda mais sobre o veneno implícito no comentário: o sexo comum, de todo dia, sem acessórios, brinquedos e fantasia, é menosprezado, como se só o sexo selvagem, cheio de incrementos fosse responsável por validar a satisfação sexual de uma mulher, principalmente se ela não é mãe. É interessante essa forma que boa parte da sociedade vê o "sexo baunilha", como algo que não satisfaz, enquanto que o sexo só é, de fato, fora de série, se tiver algum tipo de "estranhice", em algum nível... Interessante que no segundo livro da trilogia os protagonistas vem mostrar justamente o oposto disso: à medida que vão ficando íntimos e se apaixonando mais, a fantasia sado-masô vai deixando de ter espaço, e o Christian, que antes só conseguia fazer sexo na relação Dominador/Submissa, descobre um prazer muito maior no sexo comum, só pele, bocas e... química.
Acho que o/a jornalista que criou a expressão precisa repensar o mundo, as mães, as mulheres e a sexualidade feminina, independente de idade, estado civil, status familiar, etnia, classe social, nacionalidade, e tudo o mais...
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Os primeiros tons de cinza
Há algum tempo, um amigo publicou um post no Facebook sobre uma crítica pra lá de elitista detonando a trilogia "Cinquenta tons de cinza". Eu, na época, sequer sabia do que se tratava. Depois de um tempo, vi que a revista Veja (argh!) publicou uma matéria de capa para falar do reboliço que esses livros têm provocado. Mais uma vez, eu estava no meu estado de ignorância a respeito do que se tem chamado de fenômeno. Foi aí que eu fiquei sabendo o que era... E não me interessei nem um pouquinho, pois sado-masoquismo nunca foi minha praia (parafraseando a tradução de Steele e Grey).
Aí, passado mais um tempinho, minha madrasta vem até mim, toda serelepe, com olhinhos agitados e acesos, me dizendo que eu "tinha" de ler. Eu falei para ela que não curtia essa coisa de sádico, etc e tal... Mas ela não se abateu.
Sábado, fui almoçar na casa do meu pai. Antes de ir embora, mais uma vez, vem minha madrasta, cheia de excitação, e com dois dos três livros na mão. Foi logo dizendo assim: "Olha, eu ainda não comprei o terceiro, mas já li os dois primeiros, e você tem de ler... Você vai amar!".
Resumo da ópera: Das 455 páginas do primeiro livro, já li pouco mais de 130. Sim, os relatos detalhados das relações dão uma quenturinha. Sim, é bonzinho de ler. Mas,só...
Voltando ao post de meu amigo no Facebook, alguém comentou que só mesmo uma fã de Stephanie Meyer para escrever melhor do que ela. Discordo. Meyer parece ter mais riqueza de vocabulário, embora isso possa ser também um problema da tradução. Além do mais, há momentos em que eu me sinto relendo "Crepúsculo". As semelhanças são muitas: a protagonista branquela, de cabelos castanhos, que não se sente segura e acha que o cara é a melhor coisa do mundo, e que ela é muito menos do que ele; o protagonista que parece um "deus" todo poderoso, que pode tudo, que consegue tudo, que é rico, que é lindo, etc; garçonetes que se incomodam por não serem notadas pelo "deus"; carros caros, velozes, chiquerérrimos, casas maravilhosas; ausência de problemas corriqueiros, como contas a pagar, médicos a serem marcados, etc e tal; frases que se repetem (tanto Edward Cullen quanto Christian Grey andam "franzindo o cenho" com uma certa frequência). Bem medido e bem pesado, parece que os tons de cinza de James são uma versão erótica de Bella e Edward. Convenhamos: um homem (sádico, diga-se de passagem) que consegue fazer uma virgem de 21 anos (que não conhece o próprio corpo) ter 2 orgasmos com penetração na primeira vez é tão irreal quanto um vampiro!
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Válvula de escape
Eu acho que é uma das funções mais primordiais dos amigos, ouvir e dar suporte aos seus. É por isso que quando algum amigo me liga ou quer conversar, eu ouço. É evidente que, com minha boca grande, faço meus comentários, tento aconselhar, consolar, dizer algo que ajude, que acalme, que conforte.
Apesar de pensar assim, eu não consigo ligar para meus amigos para pedir para conversar e desabafar. Sei lá o motivo... Acho que tenho medo de que não me entendam, que me julguem, de alguma forma, que façam críticas sobre a forma como eu me sinto. Pelo menos, isso já aconteceu antes, e eu passei a me recolher, quando estou mal.
Nesta semana, eu captei de uma pessoa que amo muito, muita informação negativa. ela tá cheia de problemas. Tá "encalacrada" até a alma... Problemas no trabalho, problemas na família, problemas financeiros... Eu escutei, tentei acalmá-la, dei todos os meus melhores conselhos... No final, ela rechaçou tudo. Eu não sei se foi porque nada do que eu disse sutiu efeito, ou se é porque a energia dela tava muito "dark", a verdade é que hoje eu queria ter com quem conversar. Eu queria poder desabafar. Contar tudo, gritar, esbravejar... Guardei pra mim, e tive uma crise de choro em meio ao engarrafamento das 8:00 horas da manhã.
Minha cabeça está doendo, agora. Uma sensação de impotência se instalou...
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Sujeitos assujeitados.... "Maria vai com as outras" ou o quê?
Existe algo, que eu nem sei definir, em Análise do Discurso, que diz, mais ou menos, que tudo o que pensamos ser nosso texto, nossa opinião, nossas ideias, na verdade, não são. Nem sei se isso é um conceito ou um fundamento. O que sei é que somos "assujeitados" porque somos levados a adotar ideias, ideologias e conceitos dos outros... Isso me fez pensar que somos altamente influenciados pelas palavras alheias. Criamos conceitos, adotamos padrões, muitas vezes sem conhecer. E por que estou trazendo isso hoje pra cá? Bem, eu fui, pela primeira vez à cidade de São Paulo há duas semanas. E foi uma surpresa!!!!
Em primeiro lugar, não fui como turista. Estava concentrada em ir só para ver o show da minha banda favorita (Dream Theater). Minhas expectativas eram duas: aproveitar o show ao máximo e não esperar nada da cidade... A culpa é de Caetano!!!! Culpa de frases como "Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto" e "Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso"! Mesmo depois de analisar e verificar que de tantos avessos, chega-se no "direito", eu tinha a impressão de que São Paulo era uma cidade pra lá de horrorosa. E fui pra lá acreditando que ia ver o que costumamos chamar de "ó do borogodó"! Muita gente ratificou essa imagem, com depoimentos sobre suas experiências em Sampa... E eu, que cheguei com os olhos cautelosos do que poderia ver, me deslumbrei com a selva de pedra... Passando por baixo de um viaduto, de onde meu marido apontava para algum lugar que não consegui identificar, me encantei com o céu azul, as flores colorindo o espaço misto de arquitetura antiga e prédios modernosos. Meu marido apontava: " Ali em cima é a Paulista. Tá vendo aquilo ali, vermelho? É o MASP"... Não consegui ver, porque tudo era muito melhor do que eu havia imaginado. Arcos, vidros, concreto, céu de brigadeiro, flores de cores intensas... verde! Tudo junto, desmentindo o avesso do avesso. E a temperatura de 17°C inundou minha alma... eu não queria mais sair dali... Se não fossem meus filhos me esperando aqui, talvez nem tivesse voltado. Convenceria meu esposo a ficar por lá mesmo, clandestinos.
É certo que não vi a cidade toda, não conheci o furdunço diário... Mas andei pelos lugares que fui, não como turista, mas como alguém que sabia onde estava. Andei de trem, andei de metrô... Depois de algumas estações, já me sentia em casa.
Tive medo de ser mal-tratada, porque outra coisa que costumam falar sobre São Paulo é que os paulistas não gostam de nordestinos... Fui esperando que algo assim acontecesse. Tirando um chinês estressado numa lojinha da Liberdade (antes de terminarmos de perguntar quanto custava um produto, ele já vinha dizendo que era 38!!!!), e uma galera que me olhou feio na Galeria do Rock, devido à minha busca por algum produto da franquia Glee (pra minha filha de 12 anos!), acho que fui tratada normalmente em todos os lugares onde estive.
Amei São Paulo! Alguma coisa acontece no meu coração...
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