quarta-feira, 18 de julho de 2012
Life's true intend needs patience
Vem em ondas, ora brandas, quase afagando minhas pernas, ora tsunamis destruidoras. Essa dúvida constante não passa. De tanto estar presente, parece que eu me tornei ela. Viramos algo uno. Eu sou a personificação do "não sei". Eu simplesmente não sei o que vou fazer da minha vida. Há 18 anos atrás eu não sabia responder. Passaram-se quase duas décadas, e a pergunta continua sem resposta. O que você vai ser quando crescer?
Eu não sei. Nunca soube. Continuo no escuro. Quis ser tantas coisas, mas todas pela razão errada. Agora eu busco encontrar essa verdade. O que eu quero ser, pela razão certa. E tentando encontrar uma resposta, uma enxurrada de novas perguntas desabam em mim: Existe alguma verdade? É um fato que todas as pessoas saibam, no fundo de suas almas, o que querem fazer da vida? Será que querer e dever podem andar de mãos dadas? E se o que eu quero for impossível, simplesmente porque me falta talento? Eu tenho competências para fazer o que quero? Eu tenho coragem? Será que eu realmente quero isso? Por que parece que o que eu queria há três anos já não me apetece mais? Algum dia eu vou descobri o que vim fazer nesse mundo?
Labirintos... névoas... eu mesma me persigo... E me escapo.
A verdade me escapa. E meu ídolo, Myung, me diz que é preciso paciência para entender a verdadeira razão da vida.
"Sometimes all I want to do is wait"....
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Eu não me lembro...
Da última vez que estive aqui, eu falei de um relacionamento antigo, de quase 20 anos atrás, que me marcou muito. Minha mãe costuma me falar sobre como eu reajo ao mencionar essa história. Ela disse que eu preciso soltar a mágoa que ficou e dar lugar às lembranças boas.
Reolvi trabalhar melhor isso, porque essa é a maior mágoa que ainda carrego em mim. Nem mesmo o fato de ter sofrido abusos na infância me machucam tanto quanto me lembrar daqueles 17 meses de namoro. É óbvio que foi preciso muito tempo de terapia para que os abusos não me machucassem mais. Creio até que já perdoei "os abusadores". Mas essa história... É tudo muito esquisito, porque quando paro para pensar na razão disso, sequer consigo identificar. Se me pergunto se gostaria de tê-lo na minha vida ainda, a resposta é imediata. Um "não" imenso ecoa na minha mente. Sinto que não seríamos felizes juntos nem se quiséssemos tentar novamente. E sinto que eu não o quero por perto. Mas ainda persiste um gosto amargo de rejeição. Ainda me vejo perguntar o porquê de tudo ter se acabado. Frases ditas, cenas rápidas de um romance que acabou. A eterna dúvida se, por parte dele, houve de fato algum sentimento. Eu só queria saber. Parece que ficou uma lacuna enorme. Talvez ela um dia se preencha com a onisciência de quem morre e pode ver o passado novamente e o futuro, ligando todas as pontas.
A verdade é que eu não me lembro. Não me lembro de nós dois. Não sei como éramos. Não sei se ele foi feliz ao meu lado, ainda que por pouco tempo, antes de eu me tornar doentia. Não me lembro de grandes gargalhadas. Só lembro daquela arritmia que se sente quando o chão falta aos seus pés. Eu me sentia assim diante dele. Eu sentia que meu coração não queria ficar em mim... Era como se meu coração quisesse fugir do meu peito e ir para as mãos dele. Isso doía tanto, porque naqueles meses, eu não era o suficiente para mim mesma. Ele ia embora, meu coração morria. E eu me matava um pouco a cada dia.
Será que a mágoa se baseia em como eu vejo que não era amor, mas sim uma doença? Será que essa mágoa é apenas minha auto-crítica, condenando minhas atitudes, me repreendendo por não ter sido mais raçuda, mais eu, mais independente? O que será que provocou isso? Questiono-me se isso não foi o resgate de algum karma, tão antigo quanto a própria história de todos os amores do mundo.
Agora, com quase 34 anos, me parece tão injusto que eu tenha sentido algo tão violento sozinha. Eu realmente gostaria de saber se houve alguma sinceridade quando ele dizia "Eu te amo". Ele dizia muito, olhando nos meus olhos. Ele via uma espécie de mancha azul, como uma linha, na parte inferior da minha íris cor de mel. Meu marido, no entanto, que é a pessoa que sei que mais me amou nesta vida, nunca a viu. As perguntas jorram E a angústia de não sabê-las responder faz de tudo o que passou uma névoa negra sobre uma época em que eu deveria ter sido imensamente feliz. E no fim, eu não me lembro... eu não me lembro de como éramos, como fomos... Eu não me lembro de ter sido feliz ao lado dele, e ainda assim, naquela época, eu não queria viver sem ele. Preciso me perdoar por isso.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Exorcisando demônios
Autoanalisar-se é um exercício doloroso... é preciso coragem para fazê-lo, porque não há ninguém para mediar o processo ou dar uma outra perspectiva dos fatos, dos sentimentos, das ações. Eu não sou psicóloga, portanto, essa seção é absolutamente intuitiva e confessional. Não acredito que eu vá chegar a alguma conclusão ao fim do desabafo.
Eu estou trabalhando arduamente para construir minha autoestima. Falo em construir porque tenho a sensação de que, nesta vida, ela nunca existiu. Talvez, na infância, quando isso é apenas uma semente que trazemos, ela tenha sido espisoteada e não tenha germinado. Talvez eu nunca venha a saber o que realmente ocorreu. Então decidi que tenho que trabalhar este momento, o "agora".
Revirando o baú da memória, resgatando momentos em que minha autoestima pareceu a chegar a um nível abaixo de zero, revi o meu relacionamento mais intenso, a paixão mais avassaladora que vivi. Ao contrário de outras paixões passadas, essa não deixou a sensação de carinho pela pessoa ou pela relação em si. Só pude identificar as dores daquela época e como o que parecia o maior amor do mundo passou a ser uma mágoa de peso colossal na minha alma. Aos poucos tenho processado isso, porque se eu guardar por mais tempo, vou acabar desenvolvendo um câncer. Antes de contar a história, é preciso deixar claro que não há mais nenhuma paixão pela pessoa. Eu não consigo imaginar minha vida ao lado dele porque somos como óleo e água. Embora na época parecesse que tudo se casava, hoje eu vejo que sofri mais do que fui feliz, porque ele não era quem eu queria que fosse.
Eu devo ter sido um pesadelo na vida dele: insegura demais, controladora demais, dependente demais. Sim, eu tive uma boa parcela de culpa pelo fracasso da relação. Eu tinha expectativas que iam além da realidade. Eu queria o conto de fadas, a fantasia de que uma paixão com aquela força fosse correspondida na mesma proporção e, mais ilusão ainda, que durasse para sempre. Mas ele parecia me escapar. Como eu só queria estar com ele e mais ninguém, eu queria que ele desejasse o mesmo. Os amigos, os jogos de RPG, os shows de rock... sem mim... tudo era motivo de eu começar a enlouquecer achando que ele não voltaria mais, que ele não telefonaria mais. Sim, eu fui a pior namorada do mundo!
Tenho certeza de que isso é um dos motivos de toda essa mágoa. Eu me anulei por completo porque parecia que era melhor estar sofrendo naquele relacionamento do que ficar sem ele. Eu me rebaixei, deixei que ele me humilhasse, que ele me manipulasse, que me machucasse porque ele sabia que eu aceitaria qualquer condição para estar com ele. Lembrar desse relacionamento é o mesmo que sentir raiva de mim mesma por ter permitido tudo isso, por ter sido tão passiva e não ter me dado nenhum valor. Consigo ver claramente eu me envergonhando pelas minhas origens, pela minha bagagem cultural que ele tanto menosprezava por ser filho de inglês e ter nacionalidade inglesa. Lembro que mesmo quando brigávamos, e eu ficava super magoada com a frieza com que ele me tratava, eu não conseguia dizer "Vá embora, me deixe em paz! Eu não quero falar com você!". Eu me fiz ser "um nada" porque achava que ele era tudo de bom que poderia acontecer na minha vida.
Eu não sei quando vou me perdoar por ter deixado tudo acontecer como aconteceu. Eu não sei se vou conseguir, um dia, perdoar esse cara que se aproveitou das minhas inseguranças, da minha própria infantilidade, afinal, eu tinha 15 anos. Mas agora, a lama de toda essa história está em minhas mãos, e eu quero limpá-la.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Em busca dos "insólitos" perdidos
Quando eu estava no segundo semestre do curso de Letras, eu fiz uma disciplina chamada Teoria da Literatura I. Embora fosse "I", não era a primeira Teoria da Literatura. Mas foi a primeira e única disciplina em que precisei fazer prova final. As poucas coisas de que me lembro sobre essa disciplina são essas: nela, trataríamos de prosa, deveríamos fazer uma pesquisa sobre Paul Valèrie - que por não ter sido feita me rendeu a tal prova final - e a palavra "insólito". Tivemos aulas e mais aulas sobre esse tal insólito. É óbvio que a primeira coisa que fiz, diante do palavrão, foi ir ao dicionário saber do que se tratava. E era mais ou menos o que eu tinha imaginado. Na minha humilde mente, de forma simplista e simplória, insólito é aquilo que é inusitado, aquilo que quebra com algumas expectativas óbvias. Antes, entretanto, fiquei na aula, fazendo cara de inteligente, tentando fingir que tudo aquilo estava muito íntimo das minhas concepções e de meus conceitos. Ao longo da disciplina, senti que ele é mesmo muito importante para a literatura. Mais! Parece que ele é muito importante para o toda e qualquer arte e, é evidente, para toda a intelectualidade.
Tempos depois, percebi que o insólito me traumatizou de tal forma que passou a ser "A arca da Aliança" da minha vida. Há poucos dias, percebi que as pessoas, e eu estou no balaio, buscam valorizar as "insoliticidades" de suas vidas. É óbvio que isso interfere no que eu escolho fazer, em quem escolho ser, em como vou me portar. Por que, simplesmente, não podemos ser apenas óbvios, comuns e mediocres? Vivemos como se quiséssemos que nossas vidas fossem filmes-cabeça, daqueles de Ingmar Bergman, que só são exibidos nas salas de Artes. Cada momento estranho ou bizarro é um quadro novo a ser pintado. Nosso caminhar ganha trilha sonora. O dia a dia gera a sonoplastia típica do cinema nacional, de carros, buzinas e talheres tinindo nos pratos. Como nos filmes-cabeça, os insólitos nascem e se vão em detalhes mínimos, em instantes de insights relampejantes que não provocam finais hollywodianos.
Ninguém nunca me confessou querer viver uma vida de cinema ou de romance. Mas se eu vejo que os dilemas e angústias são os mesmos, porque a forma de projetar isso não seria? Enfim, estamos todos buscando tudo aquilo que nos tire do lugar comum. O curioso é que a busca gera o efeito contrário, na maioria dos casos.
Seria tão mais fácil se o insólito ficasse encapsulado somente na arte.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
O que as pessoas querem do Facebook?
Hoje eu vi duas coisas no Facebook que me levaram a mais uma seção de filosofia barata só para passar o tempo num engarrafamento.
Primeiro, li uma suposta matéria na qual se dizia, muito genericamente, que o criador da rede, Mark Zuckerberg, não estava satisfeito com a qualidade da participação dos brasileiros. Segundo a matéria, por um lado, o cara estava feliz por haver tanta gente no Brasil utilizando a rede social, mas, por outro lado, cada vez mais os brasileiros estavam "orkutizando" (não é que inventaram isso?!)o Facebook, com essas postagens com mensagens de autoajuda, textos de teor religioso-catequisatório, etc e tal. Na matéria, havia até a informação de que o Mark, junto com sua equipe, estaria elaborando um manual de comportamento para que o público brasileiro não estrague o Facebook.
Aí, logo em seguida, eu vi a atualização de status de uma amiga, em que ela falava que o Facebook deveria se chamar "Egobook".Havia alguns muitos comentários concordando com ela e escrachando aqueles que usam não só o FAcebook mas também o Twitter, para ficar informando coisas bobas sobre si mesmas. Houve um comentário que satirizava aquelas outras pessoas que vão atualizando seus status, falando que comeram tal coisa, que foram ao banheiro, que fizeram isso ou aquilo.
Bem, minha primeira reação, como boa pessoa insegura que sou, foi pensar: "Eu me encaixo nesse perfil?" É claro que deveria ter pensado logo em seguida: "Que se foda se eu me encaixar nesse perfil! E daí?" Mas não foi isso que passou na minha cabeça. Eu comecei a pensar na utilidade do site e quais as expectativas de quem o está usando. Particularmente, uso o Facebook para estar em contato com as pessoas que conheço, já que a vida que tenho, atualmente, e até mesmo minha natureza de eremita, me impedem de sair e encontrá-los frequentemente. Através dele, fico sabendo do que se passa na vida dessas pessoas, ou pelo menos sobre o que pensam, sem precisar ligar e perguntar. Às vezes, tento usar o site para saber da opinião dessas pessoas sobre algum assunto ou mesmo para perguntar coisas (como no dia em que estava estudando para a prova de Enologia, Drinks e Aperitivos). Neste último caso, raramente obtenho resposta. Vejo um bocado de coisa chata, como aquelas mensagens religiosas que me irritam e, principalmente, as chacotas contra os times de futebol que perderam alguma coisa, independente de qual time foi (ODEEEEEEIO FUTEBOL). Quando topo com algo assim, passo reto, desço direto para a próxima atualização. Vejo algumas besteiras que me fazem rir, assisto a alguns vídeos que me pareçam interessantes...Também acabo sabendo mais sobre a vida da minha filha do que ela está disposta a me contar. Enfim. Para que mais serviria? Os convites para participar de jogos e aplicativos, ignoro por completo... Nem me abalo em tentar ver como funcionam. Aplicativos, só meus dois joguinhos favoritos: Mahjong e Bubbles.
Entretanto, o que percebo por parte de muitos amigos e ex-colegas de faculdade é uma constante pressão para que sejamos sempre eternamente altamente intelectualizados. Sempre vejo que algumas pessoas postam críticas sobre o que está acontecendo na TV ou sobre alguma polêmica que está rolando por aí. E aí eu me questiono: muitas dessas pessoas levantam bandeira em defesa de causas de igualdade social, discriminalização disso e daquilo (causas que eu também defendo), mas na hora de lidar com a diversidade do uso do Facebook, o discurso empena. Acham um besteirol que alguém fale sobre o que fez ou vai fazer; são extremamente intolerantes quando contrariados em suas opiniões. Se o que anda aparecendo na página principal é um desfile de coisas que não vão enriquecer o dia do intelectual, exclua a postagem. Peça para aquela história não aparecer. Se a pessoa responsável pela tal postagem é recorrente, é só bloqueá-la ou mesmo excluí-la. Se a tal pessoa não é inteligente o suficiente para que possa figurar então na página de atualizações de um intelectual, porque essa pessoa está na sua lista de amigos?
Talvez eu seja suspeita para falar, afinal, fugi da vida acadêmica, não aguentando a pressão de ser intelectual. Uma vez, meu marido e eu estávamos discutindo sobre isso. Ele faz parte do perfil que acha que as discussões e postagens no Facebook deveriam estar num nível mais elevado. Eu retruquei que se eu quisesse ficar filosofando numa rede social, teria escolhido continuar com minha vida acadêmica e fazer o doutorado. E se a intenção dessas pessoas é que haja um espaço público para debates de alto nível, seria melhor que as redes sociais passassem a ser temáticas ou com finalidades específicas, como ocorre com a tal da Linkdin (acho que é assim que se escreve). Infelizmente, a pressão para ser intelectual e inteligente, e parecer super cool falando sobre o assunto polêmico do momento é um "pouco demais" para mim, que estou em busca de leveza. Mas, como eu não quero ser como os intelectuais radicais do Facebook, que passam a ter um discurso discriminatório, acho ótimo que eles estejam lá para trazer sempre uma polêmica diferente, que não vai mudar a vida de ninguém.
Primeiro, li uma suposta matéria na qual se dizia, muito genericamente, que o criador da rede, Mark Zuckerberg, não estava satisfeito com a qualidade da participação dos brasileiros. Segundo a matéria, por um lado, o cara estava feliz por haver tanta gente no Brasil utilizando a rede social, mas, por outro lado, cada vez mais os brasileiros estavam "orkutizando" (não é que inventaram isso?!)o Facebook, com essas postagens com mensagens de autoajuda, textos de teor religioso-catequisatório, etc e tal. Na matéria, havia até a informação de que o Mark, junto com sua equipe, estaria elaborando um manual de comportamento para que o público brasileiro não estrague o Facebook.
Aí, logo em seguida, eu vi a atualização de status de uma amiga, em que ela falava que o Facebook deveria se chamar "Egobook".Havia alguns muitos comentários concordando com ela e escrachando aqueles que usam não só o FAcebook mas também o Twitter, para ficar informando coisas bobas sobre si mesmas. Houve um comentário que satirizava aquelas outras pessoas que vão atualizando seus status, falando que comeram tal coisa, que foram ao banheiro, que fizeram isso ou aquilo.
Bem, minha primeira reação, como boa pessoa insegura que sou, foi pensar: "Eu me encaixo nesse perfil?" É claro que deveria ter pensado logo em seguida: "Que se foda se eu me encaixar nesse perfil! E daí?" Mas não foi isso que passou na minha cabeça. Eu comecei a pensar na utilidade do site e quais as expectativas de quem o está usando. Particularmente, uso o Facebook para estar em contato com as pessoas que conheço, já que a vida que tenho, atualmente, e até mesmo minha natureza de eremita, me impedem de sair e encontrá-los frequentemente. Através dele, fico sabendo do que se passa na vida dessas pessoas, ou pelo menos sobre o que pensam, sem precisar ligar e perguntar. Às vezes, tento usar o site para saber da opinião dessas pessoas sobre algum assunto ou mesmo para perguntar coisas (como no dia em que estava estudando para a prova de Enologia, Drinks e Aperitivos). Neste último caso, raramente obtenho resposta. Vejo um bocado de coisa chata, como aquelas mensagens religiosas que me irritam e, principalmente, as chacotas contra os times de futebol que perderam alguma coisa, independente de qual time foi (ODEEEEEEIO FUTEBOL). Quando topo com algo assim, passo reto, desço direto para a próxima atualização. Vejo algumas besteiras que me fazem rir, assisto a alguns vídeos que me pareçam interessantes...Também acabo sabendo mais sobre a vida da minha filha do que ela está disposta a me contar. Enfim. Para que mais serviria? Os convites para participar de jogos e aplicativos, ignoro por completo... Nem me abalo em tentar ver como funcionam. Aplicativos, só meus dois joguinhos favoritos: Mahjong e Bubbles.
Entretanto, o que percebo por parte de muitos amigos e ex-colegas de faculdade é uma constante pressão para que sejamos sempre eternamente altamente intelectualizados. Sempre vejo que algumas pessoas postam críticas sobre o que está acontecendo na TV ou sobre alguma polêmica que está rolando por aí. E aí eu me questiono: muitas dessas pessoas levantam bandeira em defesa de causas de igualdade social, discriminalização disso e daquilo (causas que eu também defendo), mas na hora de lidar com a diversidade do uso do Facebook, o discurso empena. Acham um besteirol que alguém fale sobre o que fez ou vai fazer; são extremamente intolerantes quando contrariados em suas opiniões. Se o que anda aparecendo na página principal é um desfile de coisas que não vão enriquecer o dia do intelectual, exclua a postagem. Peça para aquela história não aparecer. Se a pessoa responsável pela tal postagem é recorrente, é só bloqueá-la ou mesmo excluí-la. Se a tal pessoa não é inteligente o suficiente para que possa figurar então na página de atualizações de um intelectual, porque essa pessoa está na sua lista de amigos?
Talvez eu seja suspeita para falar, afinal, fugi da vida acadêmica, não aguentando a pressão de ser intelectual. Uma vez, meu marido e eu estávamos discutindo sobre isso. Ele faz parte do perfil que acha que as discussões e postagens no Facebook deveriam estar num nível mais elevado. Eu retruquei que se eu quisesse ficar filosofando numa rede social, teria escolhido continuar com minha vida acadêmica e fazer o doutorado. E se a intenção dessas pessoas é que haja um espaço público para debates de alto nível, seria melhor que as redes sociais passassem a ser temáticas ou com finalidades específicas, como ocorre com a tal da Linkdin (acho que é assim que se escreve). Infelizmente, a pressão para ser intelectual e inteligente, e parecer super cool falando sobre o assunto polêmico do momento é um "pouco demais" para mim, que estou em busca de leveza. Mas, como eu não quero ser como os intelectuais radicais do Facebook, que passam a ter um discurso discriminatório, acho ótimo que eles estejam lá para trazer sempre uma polêmica diferente, que não vai mudar a vida de ninguém.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Mais do mesmo
Eu já mencionei o meu atual emprego. E agora ele nem me incomoda mais como costumava me incomodar. Antigamente, eu me indignava com tudo o que acontecia nele. Eu achava que as únicas coisas pelas quais valia a pena estar ali eram os fatos de que eu tinha colegas maravilhosos e de que não tinha de lidar diretamente com os alunos, além de poder cumprir com meus compromissos financeiros. Isso não mudou, mas toda a parte negativa deixou de ser uma muralha que me impedia a vista de paisagens. Hoje eu me sinto como uma enfermeira cuidando de um doente terminal.
Quando cheguei aqui, isso era algo pequeno, ocupava apenas três ou quatro andares de um prédio de 11 andares. Já fazem quase 6 anos. Nos anos seguintes, a coisa cresceu. Dos 11 andares do prédio, apenas dois não eram "nossos". Só de andares destinados aos professores, para que elaborássemos nossas aulas e materiais de trabalho, havia quatro. Chegou ao ponto de que não era possível encontrar computadores e cadeiras suficientes nesses quatro andares para que pudéssemos trabalhar. De segunda a sexta, manhã, tarde ou noite, a qualquer momento em que se chegasse aos andares, estavam lotados.
Começamos com três estúdios de transmissão via satélite. Logo, três viraram seis, que, em seguida, chegaram a nove. Setores e mais setores eram criados para coordenar tamanho empreendimento educacional. Houve um momento em que nem os 9 andares eram suficientes, salas e mais salas foram alugadas em outros prédios do mesmo bairro. Era uma coisa "mega". E foi tão rápido e tão grande, ou tão grande e tão rápido, que começou a ruir.
Hoje eu não sei onde o fim começou. Talvez, ele estivesse esperando, desde o começo, como um organismo vivo, que nasce, cresce, reproduz, envelhece e morre. Só que muito depressa , levando muitas outras vidas para caminhos diferentes.
Hoje não há mais nenhuma sala fora do prédio. Dos nove andares de antes, só tenho certeza de que restam cinco. A qualquer momento em que se chegue em um dos dois andares reservados aos professores, é possível encontrar computadores e cadeiras disponíveis. Raramente fico na sala dos professores, como costumo chamar o andar em que trabalho, com mais de cinco colegas, professores de diversos cursos. Parece que tudo está mesmo morrendo. Os meus colegas mais queridos não estão mais aqui. Hoje estão trabalhando em lugares muito melhores. Com certeza estão mais felizes do que antes. Eu estou aqui, esperando o fim, tal qual a enfermeira que assiste um moribundo. O muro que antes me impedia de ver o mundo adiante, agora, é uma cerquinha a ser derrubada com um único pontapé. Diante dela, eu espero.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A morte e eu
Eu ainda estou de luto. Meu tio faleceu no dia 30/12/2011, em consequência de um câncer. Fiquei sem saber o que escrever, o que dizer, não só aqui no meu confessrionário, como para mim mesma... Eu acho que senti um certo alívio com a partida dele, porque eu sei que ele estava sofrendo muito. Enfim, ele descansou.
Era um homem bom. Trabalhador, honesto, excelente pai, carinhoso com todos que o cercavam, parentes ou não. Sabe aquele tipo de homem que tem uma voz mansa? Que te dá uma sensação de que voce pode confiar nele? Esse era meu tio Edson. Não se via ele metido em brigas, discussões. Tinha seus hábitos, suas manias, como quando resolvia cozinhar... Normalmente, num sábado ou domingo em que fosse para a cozinha, bebia conhaque, pinga... E o cardápio não era mais leve do que as bebidas: feijoada, rabada, sarapatel.
Enfim, ele se foi. Eu fiquei impressionada com isso, com o fato de que não estamos livres de termos um ente querido arrancado de nosso convívio por causa de uma doença, de um acidente, de uma fatalidade. E nenhum conhecimento sobre religiões que eu tenha me acalma o espírito quando eu penso no fato inexorável de que um dia todos morreremos. Talvez eu não tenha tanto medo de morrer quanto tenho pavor de perder aqueles que amo. Enquanto sigo tentando me tornar uma pessoa mais conformada com o ciclo natural da vida, meus sonhos com água continuam, indo e vindo... Para mim, água é morte... Sempre que tenhos esses sonhos com água, alguma menção à morte se faz... Acordo com o coração a saltar pelo peito, como se quisesse fugir de mim. É estranho, eu sei... Mas é um dado que não posso ignorar. Quando fazia terapia, contei à psicóloga sobre esses pesadelos. São pesadelos com lugares inundados, como num mundo pós-apocalíptico... Eu sempre preciso ir a algum lugar, mas tudo está cercado de água. Ela me perguntou se eu sabia como tinha sido a gravidez de minha mãe, quando eu estava na sua barriga... Não pude esconder que sabia que minha mãe pensou em aborto ao descobrir que estava grávida de mim. Ela, minha psicóloga, então me disse que meus sonhos estavam ligados a esse risco de ter morrido ainda na barriga de minha mãe, dentro da água.
Meus últimos sonhos com morte e água tiveram até tsunami... Acordo chorando... Tenho pavor. E mesmo sabendo que não posso mais ser abortada, a água ainda é um elemento ameaçador para mim. A morte, essa sombra, prefiro não pensar nela.
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