sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

... Como havia sido previsto

Já vinha sendo anunciado o fim. Eu já sabia que iria acontecer. Mas ainda assim, não é um sentimento fácil de lidar. Será que todos sentem da mesma forma que tenho sentido? A sensação inicial foi a de que eu fui jogada fora, depois de ter sido usada ao extremo, sugada de toda minha energia, criatividade, saber e competência. Ser demitida não foi nem um pouco aliviador, como eu esperava. Eu achei que me sentiria libertada, e no entanto minha alma parece estar prisioneira de uma angústia, da eterna incerteza sobre o futuro. Achei que depois que eu saísse de lá, todas as nuvens que me impediam de ver iriam se dissipar. Porém, parece agora que elas estão mais densas. Eu não vou tentar fingir que tá tudo bem. Não está. Eu estou muito triste, com medo do futuro. Medo de não receber na justiça por todos os direitos assegurados de uma demitida. Medo de que não consiga mais voltar a trabalhar, porque parece que tudo que eu sabia, que tudo o que eu podia fazer ficou preso lá naquele lugar. O amanhã é tão nublado, tão difícil de enxergar... E me falta a fé de que todo mundo fala. Como se ganha fé? Como se passa a acreditar que tudo vai ficar bem? Eu queria, ao menos, alguma garantia...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Mais alguns tons...

Bem, terminei os dois primeiros livros da trilogia 50 tons de Cinza. E posso afirmar, com muita convicção, que eu estou morta de cansaço pela Anastácia, protagonista dos romances... É tanto sexo (duas ou três vezes por dia, quase todo santo dia!!!!!) que eu fiquei exausta por ela. Como eu mencionei no post anterior, o vocabulário é tão fraquinho, que começou a ficar chato "reler" todas as narrativas porno-eróticas (dá uma sensação de que estou lendo de novo a mesma transa...). Mas o que me trouxe aqui para falar sobre o livro não está no livro em si, mas em um comentário que li em algum site por aí: alguém descreve o livro como "o pornô das mamães". Eu fiquei com a pulga atrás da orelha com a expressão claramente preconceituosa em relação às mulheres que optaram por construir uma família. É como se uma mãe não tivesse mais o instinto sensual e sexual que qualquer mulher saudável, em idade reprodutiva tem. Parece que parir é fato que irá, de vez, colocar a vida sexual na gaveta. Sabe-se que é difícil ter uma vida sexual ao estilo Grey/Steele com filhos em casa. Mas mesmo quem não tem criança em casa não anda transando toda hora, em todos os lugares, usando tantos apetrechos e tudo mais, por aí. Esse é outro ponto interessante que me levou a refletir ainda mais sobre o veneno implícito no comentário: o sexo comum, de todo dia, sem acessórios, brinquedos e fantasia, é menosprezado, como se só o sexo selvagem, cheio de incrementos fosse responsável por validar a satisfação sexual de uma mulher, principalmente se ela não é mãe. É interessante essa forma que boa parte da sociedade vê o "sexo baunilha", como algo que não satisfaz, enquanto que o sexo só é, de fato, fora de série, se tiver algum tipo de "estranhice", em algum nível... Interessante que no segundo livro da trilogia os protagonistas vem mostrar justamente o oposto disso: à medida que vão ficando íntimos e se apaixonando mais, a fantasia sado-masô vai deixando de ter espaço, e o Christian, que antes só conseguia fazer sexo na relação Dominador/Submissa, descobre um prazer muito maior no sexo comum, só pele, bocas e... química. Acho que o/a jornalista que criou a expressão precisa repensar o mundo, as mães, as mulheres e a sexualidade feminina, independente de idade, estado civil, status familiar, etnia, classe social, nacionalidade, e tudo o mais...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Os primeiros tons de cinza

Há algum tempo, um amigo publicou um post no Facebook sobre uma crítica pra lá de elitista detonando a trilogia "Cinquenta tons de cinza". Eu, na época, sequer sabia do que se tratava. Depois de um tempo, vi que a revista Veja (argh!) publicou uma matéria de capa para falar do reboliço que esses livros têm provocado. Mais uma vez, eu estava no meu estado de ignorância a respeito do que se tem chamado de fenômeno. Foi aí que eu fiquei sabendo o que era... E não me interessei nem um pouquinho, pois sado-masoquismo nunca foi minha praia (parafraseando a tradução de Steele e Grey). Aí, passado mais um tempinho, minha madrasta vem até mim, toda serelepe, com olhinhos agitados e acesos, me dizendo que eu "tinha" de ler. Eu falei para ela que não curtia essa coisa de sádico, etc e tal... Mas ela não se abateu. Sábado, fui almoçar na casa do meu pai. Antes de ir embora, mais uma vez, vem minha madrasta, cheia de excitação, e com dois dos três livros na mão. Foi logo dizendo assim: "Olha, eu ainda não comprei o terceiro, mas já li os dois primeiros, e você tem de ler... Você vai amar!". Resumo da ópera: Das 455 páginas do primeiro livro, já li pouco mais de 130. Sim, os relatos detalhados das relações dão uma quenturinha. Sim, é bonzinho de ler. Mas,só... Voltando ao post de meu amigo no Facebook, alguém comentou que só mesmo uma fã de Stephanie Meyer para escrever melhor do que ela. Discordo. Meyer parece ter mais riqueza de vocabulário, embora isso possa ser também um problema da tradução. Além do mais, há momentos em que eu me sinto relendo "Crepúsculo". As semelhanças são muitas: a protagonista branquela, de cabelos castanhos, que não se sente segura e acha que o cara é a melhor coisa do mundo, e que ela é muito menos do que ele; o protagonista que parece um "deus" todo poderoso, que pode tudo, que consegue tudo, que é rico, que é lindo, etc; garçonetes que se incomodam por não serem notadas pelo "deus"; carros caros, velozes, chiquerérrimos, casas maravilhosas; ausência de problemas corriqueiros, como contas a pagar, médicos a serem marcados, etc e tal; frases que se repetem (tanto Edward Cullen quanto Christian Grey andam "franzindo o cenho" com uma certa frequência). Bem medido e bem pesado, parece que os tons de cinza de James são uma versão erótica de Bella e Edward. Convenhamos: um homem (sádico, diga-se de passagem) que consegue fazer uma virgem de 21 anos (que não conhece o próprio corpo) ter 2 orgasmos com penetração na primeira vez é tão irreal quanto um vampiro!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Válvula de escape

Eu acho que é uma das funções mais primordiais dos amigos, ouvir e dar suporte aos seus. É por isso que quando algum amigo me liga ou quer conversar, eu ouço. É evidente que, com minha boca grande, faço meus comentários, tento aconselhar, consolar, dizer algo que ajude, que acalme, que conforte. Apesar de pensar assim, eu não consigo ligar para meus amigos para pedir para conversar e desabafar. Sei lá o motivo... Acho que tenho medo de que não me entendam, que me julguem, de alguma forma, que façam críticas sobre a forma como eu me sinto. Pelo menos, isso já aconteceu antes, e eu passei a me recolher, quando estou mal. Nesta semana, eu captei de uma pessoa que amo muito, muita informação negativa. ela tá cheia de problemas. Tá "encalacrada" até a alma... Problemas no trabalho, problemas na família, problemas financeiros... Eu escutei, tentei acalmá-la, dei todos os meus melhores conselhos... No final, ela rechaçou tudo. Eu não sei se foi porque nada do que eu disse sutiu efeito, ou se é porque a energia dela tava muito "dark", a verdade é que hoje eu queria ter com quem conversar. Eu queria poder desabafar. Contar tudo, gritar, esbravejar... Guardei pra mim, e tive uma crise de choro em meio ao engarrafamento das 8:00 horas da manhã. Minha cabeça está doendo, agora. Uma sensação de impotência se instalou...

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sujeitos assujeitados.... "Maria vai com as outras" ou o quê?

Existe algo, que eu nem sei definir, em Análise do Discurso, que diz, mais ou menos, que tudo o que pensamos ser nosso texto, nossa opinião, nossas ideias, na verdade, não são. Nem sei se isso é um conceito ou um fundamento. O que sei é que somos "assujeitados" porque somos levados a adotar ideias, ideologias e conceitos dos outros... Isso me fez pensar que somos altamente influenciados pelas palavras alheias. Criamos conceitos, adotamos padrões, muitas vezes sem conhecer. E por que estou trazendo isso hoje pra cá? Bem, eu fui, pela primeira vez à cidade de São Paulo há duas semanas. E foi uma surpresa!!!! Em primeiro lugar, não fui como turista. Estava concentrada em ir só para ver o show da minha banda favorita (Dream Theater). Minhas expectativas eram duas: aproveitar o show ao máximo e não esperar nada da cidade... A culpa é de Caetano!!!! Culpa de frases como "Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto" e "Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso"! Mesmo depois de analisar e verificar que de tantos avessos, chega-se no "direito", eu tinha a impressão de que São Paulo era uma cidade pra lá de horrorosa. E fui pra lá acreditando que ia ver o que costumamos chamar de "ó do borogodó"! Muita gente ratificou essa imagem, com depoimentos sobre suas experiências em Sampa... E eu, que cheguei com os olhos cautelosos do que poderia ver, me deslumbrei com a selva de pedra... Passando por baixo de um viaduto, de onde meu marido apontava para algum lugar que não consegui identificar, me encantei com o céu azul, as flores colorindo o espaço misto de arquitetura antiga e prédios modernosos. Meu marido apontava: " Ali em cima é a Paulista. Tá vendo aquilo ali, vermelho? É o MASP"... Não consegui ver, porque tudo era muito melhor do que eu havia imaginado. Arcos, vidros, concreto, céu de brigadeiro, flores de cores intensas... verde! Tudo junto, desmentindo o avesso do avesso. E a temperatura de 17°C inundou minha alma... eu não queria mais sair dali... Se não fossem meus filhos me esperando aqui, talvez nem tivesse voltado. Convenceria meu esposo a ficar por lá mesmo, clandestinos. É certo que não vi a cidade toda, não conheci o furdunço diário... Mas andei pelos lugares que fui, não como turista, mas como alguém que sabia onde estava. Andei de trem, andei de metrô... Depois de algumas estações, já me sentia em casa. Tive medo de ser mal-tratada, porque outra coisa que costumam falar sobre São Paulo é que os paulistas não gostam de nordestinos... Fui esperando que algo assim acontecesse. Tirando um chinês estressado numa lojinha da Liberdade (antes de terminarmos de perguntar quanto custava um produto, ele já vinha dizendo que era 38!!!!), e uma galera que me olhou feio na Galeria do Rock, devido à minha busca por algum produto da franquia Glee (pra minha filha de 12 anos!), acho que fui tratada normalmente em todos os lugares onde estive. Amei São Paulo! Alguma coisa acontece no meu coração...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Dream Theater mood

As coisas estão mudando. Não dá para avaliar ainda se as mudanças estão tendendo para o bem ou para o mal. Acho que nunca é para o mal, se você não pretende fazer mal a alguém. Sinto-me, porém, fazendo mal a mim mesma, me contorcendo comigo na incerteza, na indecisão, na dúvida, na angústia. Acho que eu já desisti dessa coisa toda de gastronomia. Meu marido costuma dizer que eu nem tentei. Sim, é verdade. Eu, de fato, nunca trabalhei em nenhum restaurante. Fiz um evento aqui e ali. Tive medo de assumir outros maiores e para pessoas que não conhecia. Desisti sem tentar. Talvez eu esteja arranjando desculpas para esconder meu medo de tentar e falhar. Mas ao mesmo tempo, é verdadeiro o meu desejo de poder estar perto dos meus filhos enquanto eles crescem. E não é novidade que aquele que trabalha com comida, via de regra, não tem fim de semana, feriado nem dia santo. Muitos dos meus instrutores do SENAC não passam o Natal e Reveillon com suas famílias, pois estão no restaurante, servindo. Por mais que eu ame comida, cozinhar e servir, não há dúvida de que amo muito mais meus filhos, seus sorrisos e a alegria que demonstram em estar comigo. Não quero perder isso! Não quero perder a adolescência de minha boneca. Não quero estar longe nos momentos de desilusão, nas angústias. Não quero perder nada! Não quero deixar de ver meu moleque crescer,aprender a andar de bicicleta sem rodinha, jogar algum esporte novo, se apaixonar pela primeira vez. Eu quero estar presente! Tem gente que diz que é possível, mas eu não acredito. Bem, de qualquer forma, estou desistindo, sentindo um certo alívio em desistir. E a desistência vem com uma nova proposta, uma nova tentativa, para continuar exatamente onde estou. Estou me agarrando, com muito medo, na minha velha e conhecida profissão de professora. Estou morrendo de medo de voltar para a sala de aula! Mas é o que eu já conheço. Se de alguma forma é novo, também não é tão estranho assim! E assim, eu estou murcha, estou me sentindo péssima comigo mesma, porque sou covarde para tentar. Sou medrosa o suficiente para abrir mão de tentar algo que pode ser um sonho. Só que eu nem tenho mais certeza disso. Então, com a convicção minada, abro mão de sonhar. Boto meus pés no chão, me agarro à velha tábua de salvação, adio planos. Um dia, quem sabe, eu não me liberto de mim mesma e tento de verdade? Trilha de hoje: Wither, do Dream Theater. A letra fala por si só... But I feel I'm getting nowhere / And I'll never see the end / So I wither / And render myself helpless / I give in / And everything is clear / I breakdown / And let the story guide me / / I drown in the hesitation / My words come crashing down / And all my best creations / Burn into the ground / The thought of starting over / Leaves me paralyzed /

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Life's true intend needs patience

Vem em ondas, ora brandas, quase afagando minhas pernas, ora tsunamis destruidoras. Essa dúvida constante não passa. De tanto estar presente, parece que eu me tornei ela. Viramos algo uno. Eu sou a personificação do "não sei". Eu simplesmente não sei o que vou fazer da minha vida. Há 18 anos atrás eu não sabia responder. Passaram-se quase duas décadas, e a pergunta continua sem resposta. O que você vai ser quando crescer? Eu não sei. Nunca soube. Continuo no escuro. Quis ser tantas coisas, mas todas pela razão errada. Agora eu busco encontrar essa verdade. O que eu quero ser, pela razão certa. E tentando encontrar uma resposta, uma enxurrada de novas perguntas desabam em mim: Existe alguma verdade? É um fato que todas as pessoas saibam, no fundo de suas almas, o que querem fazer da vida? Será que querer e dever podem andar de mãos dadas? E se o que eu quero for impossível, simplesmente porque me falta talento? Eu tenho competências para fazer o que quero? Eu tenho coragem? Será que eu realmente quero isso? Por que parece que o que eu queria há três anos já não me apetece mais? Algum dia eu vou descobri o que vim fazer nesse mundo? Labirintos... névoas... eu mesma me persigo... E me escapo. A verdade me escapa. E meu ídolo, Myung, me diz que é preciso paciência para entender a verdadeira razão da vida. "Sometimes all I want to do is wait"....